quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Post da Autora

         Bom pessoal, este blog foi produzido por conta de um trabalho de português da minha escola, cuja professora é a Tereza. Ela me pediu para publicar este post a fim de explicar algumas coisas contidas no texto.
         Eu fiz uma pesquisa um pouco detalhada sobre o contexto histórico, sobre Ocean Springs e sobre a guerra. Tudo eu tirei da internet exceto a questão da doença chamada "pés de trincheira" que eu vi no Discovery Chanel.
            Apesar dessa história ter um ambiente norte-americano, a guerra do Vietnã foi histórica e acompanhada por todo o mundo. Eu a fiz assim por conta de alguns personagens específicos, como os soldados dos Estados Unidos e todo o contexto. Espero que gostem da trama.

Giovana.

8- Aventuras e Desventura da Vida

        Havia naquele envelope, ao todo 50 mil dólares. Ela não estava acreditando no que seus olhos viam e suas mãos apalpavam. Então pegou a carta que estava junto e leu:
        

         Vietnã, 13/08/1964

            Querida Clarisse,

            Se você estiver lendo esta carta é porque eu morri na guerra. Quero que saiba que eu sempre te amei muito e me preocupo com o seu bem estar. Como já previ há algum tempo a minha ida para a guerra, guardei uma boa quantia das colheitas para o caso de acontecer algo comigo. E acho que eu estava certo. Este dinheiro é para ajudar com os gastos do nosso filho e para realizar todos os seus sonhos. Eu gostaria muito de poder estar ao seu lado e ao lado do bebê que deve ser lindo como a mãe. Obrigado por ser essa esposa tão boa e amorosa pra mim. Com muito amor,

            Eduard Benson.


         Neste momento, lágrimas surgiam no rosto da leitora. Ela estava sentindo um misto de alegria e saudade. Mas um pouco de tristeza pelo fato de não poder gastar com o filho que partira. Porém uma idéia veio-lhe a cabeça e ela gritou:
         _ Júlia! Venha aqui agora mesmo!
         _ Já estou indo, calma_ respondeu a outra, sossegada.
         _ Creio que já temos dinheiro suficiente para construir nossa escola.
         _ Como assim? Você ficou maluca?
         _ Não, olhe isso aqui.
         Então ela mostrou tudo para a amiga e ambas se animaram e começaram a projetar tudo no caminho de volta para os EUA. Elas estavam no mesmo navio que tinha trazido Clarisse até o Vietnã. Lá ela encontrou o Michel novamente, o homem que a tinha levado até Júlia. Ele era muito legal e começaram a conversar. Os três contaram as experiências e bateram papo durante toda a viagem. O rapaz se ofereceu para ajudar na escola, já que também sabia um pouco sobre saúde.
         Três anos depois de voltarem para a terra natal, a escola para enfermeiras ficou pronta, com muito suor. Clarisse e Michel se casaram e adotaram um filho. Júlia se casou também e teve 2 filhas com Jorge. Formaram muitas profissionais da saúde e continuaram a ter uma vida cheia de aventuras e desventuras.

7- Plano de Vida

         As duas aventureiras trabalharam desse modo por 2 anos, até que a guerra acabou e o serviço de enfermeira ali, também. O desejo de ambas não era de voltar pra casa. Júlia viera servir na guerra porque não tinha familiares. Ela era adotada e seus pais adotivos morreram num acidente de carro e não sobrara mais ninguém que ela de fato conhecesse. Então a moça não tinha pra quem ou pra onde voltar.
         Já Clarisse Benson, não queria retornar para a terra natal porque não desejava voltar a ter aquela vida normal e relembrar as desventuras que passara naquele local. Iria sim visitar a família e os amigos de vez em quando, mas não pretendia viver mais ali.
         Uma angústia foi tomando conta delas porque não sabiam pra onde ir. Isso durou até que uma teve uma brilhante idéia:
         _ Poderíamos montar lá nos EUA uma escola para ensinar mulheres a serem enfermeiras, o que você acha?_ indagou com alegria a srt. Benson.
         _ Acho ótima a sua idéia. Mas onde vamos conseguir tanto dinheiro para construir isso tudo?_ questionou a outra.
         Clarisse ficou em silêncio porque não tinha uma resposta para aquela pergunta complicada. É verdade, ela não tinha pensado nisso.
         Quando anoiteceu, pegaram suas coisas e viajaram até a cidade onde haviam desembarcado. Lá dormiram na casinha onde Júlia tinha ficado antes. Quando amanheceu, Clarisse foi arrumar sua mala e achou dentro dela um embrulho. Então se lembrou que aquele era o pacote que seu marido, Eduard Benson, havia deixado para ela quando morreu na guerra do Vietnã. A jovem ainda não tinha aberto porque estava com receio do que poderia ser. Todavia agora ela não estava mais com medo de coisa alguma. A moça abriu lentamente e lá encontrou uma carta de Ed e um pacote menor. Neste outro continha uma quantia em dinheiro bem grande. Clarisse ficou imóvel.

6- Campo de Batalha

         Na manhã seguinte, as duas acordaram bem cedo e pegaram a bagagem e os instrumentos que deveriam usar. Depois foram para a rua esperar um carro do exército passar para buscá-las e levá-las para o local onde trabalhariam. Na verdade, elas nem sabiam ao certo onde ficariam, só tinham certeza de que seria à beira de um campo de guerra.
         Um soldado passou para pegá-las e deixou-as numa espécie de pântano, bem longe de onde estavam inicialmente. O homem disse:
         _ Montem as coisas aí mesmo, e logo chegarei com soldados feridos para vocês. _ Ele saiu num barquinho rumo ao campo.
         O "chão" do lugar era todo enlameado e as botas que Júlia recomendara usar estavam sendo bem úteis, porque os pés afundavam bastante, e com os calçados, os problemas nessa área estavam sendo bem menores. Andar passou a ser uma tarefa complicada, porém ambas conseguiram montar todos os equipamentos. Havia uma mesa dobrável com remédios, seringas, gaze, agulhas e outras coisas mais. Ao lado tinham algumas cadeiras e duas macas também dobráveis.
         Neste pântano, o único meio de transporte que poderia ser utilizado eram os barcos com remo, pois os elétricos não conseguiam se mover nos riozinhos rasos que existiam ali. Clarisse estava com um pouco de medo por causa do barulho das bombas e armas que vinha de longe. Todavia procurou se controlar e manter-se calma.
         Logo depois de terminarem de se organizar, o mesmo homem que as tinha levado até lá, o general Smith, estava chegando com dois soldados na pequena embarcação. Ele levou um de cada vez até as macas e voltou a navegar em busca de outros necessitados. Então Júlia perguntou numa voz meiga:
         _ Podem me falar o nome de vocês, por favor?
         _ É Brian! _ disse um deles com dificuldade.
         _ O meu é Cody _ disse o outro um pouco melhor.
         E assim as duas enfermeiras foram questionando as dores e problemas dos feridos. Clarisse ficou com o menos machucado e Júlia, por ser mais experiente ficou com o debilitado. Ambos estavam com um problema chamado "pés de trincheira". Essa doença afetava 1 a cada 3 combatentes mais ou menos. Ela ocorria por causa da água que entrava nas botas e sem a ventilação necessária, em 11 horas a pele dos pés começava a ser corroída. Devido a isso, muitos tinham seus membros inferiores amputados ou não podiam mais lutar porque andar ficava muito difícil.
         Felizmente, a doença de Cody não estava num grau tão avançado e Clarisse só teve que passar algumas pomadas, enfaixar, e dar-lhe outros comprimidos para dor. Entretanto, Brian, além disso, havia levado um tiro no braço e Júlia teve bastante trabalho para retirar a bala.
         Logo após esse acontecimento muitos outros homens iam chegando. Cada um com uma deficiência maior. Uns com picadas feias de insetos como aranhas, abelhas, vespas ou formigas venenosas. Outros com tiros pelo corpo todo. Alguns que pisavam em bombas ou eram atingidos por elas e tinham sobrevivido, iam para lá sem membros inteiros. E o papel de ambas era fazer com que eles sobrevivessem ou até mesmo voltassem ao combate. Ás vezes, muitos deles morriam e isso era uma tristeza muito grande para elas, mas persistiam na tarefa e a desempenhavam com louvor.
         Apesar de tudo, a novata no ramo, Sr. Benson, estava gostando de ajudar e trabalhar bastante. Isso dava força pra continuar com a vida, mesmo depois de tantas desventuras.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

5- Mudando a Vida

No dia anterior à viagem, Clarisse foi comunicar à família e amigos sua ida para o Vietnã. Todos ficaram horrorizados e tentaram impedi-la de ir, mas não conseguiram. A moça saiu na calada da noite e foi até o porto esperar o embarque do navio. Quando os marinheiros chegaram e a viram  ali parada, riram novamente, pois não imaginavam que ela estivesse falando sério.
         Então, depois de todos estarem a bordo do navio antigo que os levaria direto para a guerra, um rapaz disse para ela:
         _ como já deve ter percebido, aqui só tem homens. A higiene não é tão adequada, mas acho que você se vira, não é? Ah e meu nome é Michel, prazer.
         _ Meu nome é Clarisse Benson, prazer também.
         _ Eu sou um soldado e vou lutar na guerra. E você o que vai fazer lá?
         _ Bom, minha mãe me ensinou várias coisas sobre enfermagem e eu vou  para ajudar os soldados feridos.
         _ Nossa, fiquei impressionado. Eu tenho que ir, se precisar de alguma ajuda é só me chamar. Até logo!
         _ Até logo! _ disse a jovem ainda com medo de estar ali naquela aventura. Não falou do marido porque dali em diante teria uma vida nova e não olharia mais para trás.
         Michel estava certo sobre a pouca higiene dos tripulantes e além disso, a comida era bem ruim. Foi chamada para ajudar na cozinha já que era a única mulher ali, e ela aceitou de bom grado.
         Durante 24 longos dias, Clarisse Benson cozinhou, limpou e auxiliou alguns marinheiros doentes. Nas horas vagas, às vezes conversava com o novo amigo. E por mais que parecesse ruim essa viagem, ela estava gostando muito. Coisas que nunca haviam acontecido em sua vida antes, agora estavam acontecendo. Também ajudava a esquecer as tragédias de sua vida, o que a propósito, era muito bom.
         Quando desembarcaram no Vietnã, avistaram uma cena deplorável. Tudo estava destruído e em pedaços. Havia várias pessoas nas ruas, sem ter pra onde ir, porque tudo que um dia possuíram, tinha se transformado em entulho.  Jovem estava quase que de boca aberta com o cenário, quando Michel disse:
         _ Eu já vim pra cá uma vez e conheço algumas pessoas. Perto daqui mora uma enfermeira americana experiente, que pode te ajudar. Vem comigo, e olhe onde pisa!
         A moça era muito grata pela ajuda. Com certeza, se não fosse ele, ela estaria totalmente perdida. Logo que chegaram à casa da mulher, seu amigo entrou, cumprimentou-a e apresentou uma à outra:
         _ Júlia, esta é Clarisse. Clarisse, esta é Júlia.
         _ Prazer!
         _ O prazer é meu.
         Michel se despediu e ambas começaram a conversar:
         _ Eu gostaria que você me ajudasse a me ajeitar aqui neste país. Eu pretendo ajudar na área da saúde dos soldados americanos, mas não sei por onde começar.
         _ Nossa, que ótimo que você veio. Eu estava realmente precisando de uma ajudante. Eu fico ao lado dos campos de guerra, recebendo e cuidando dos combatentes. Você gostaria de ir comigo? Estou partindo amanhã de manhã.
         _ É claro! Seria a oportunidade perfeita! Obrigada!
         Então ambas continuaram a conversar, planejar e arrumar as coisas para o dia seguinte, que seria cheio de aventuras e emoções.

4- Chegou, Porém Já Foi Embora.

Batiam na porta, mas Clarisse não queria atender. Estava muito perplexa com a “partida definitiva” de Eduard, e ainda não houvera tempo de se recuperar. Todavia ela abriu pra quem quer que fosse, com o objetivo de pedir para deixá-la em paz por mais algum tempo. Eram Robert e Sara.
         _ Entrem _ ela disse, com os olhos inchados e a voz um tanto trêmula.
         Os dois se acomodaram na mesa de jantar e o rapaz falou:
         _ Tenho aqui algo do seu marido. Ele me pediu para entregar para você, caso acontecesse alguma coisa de ruim.
         O jovem lhe entregou um pacote e continuou:
         _ Bom, eu sinto muito mesmo pelo Ed. Gostaria de poder fazer alguma coisa por você. Se precisar de qualquer ajuda é só chamar a mim ou a Sara, está bem? Vamos deixar você sozinha mais um pouco para digerir tudo isso.
         Então os dois a abraçaram e saíram.
         Lá estava ela. Uma viúva, com um pacote do falecido na mão, e uma barriga enorme que carregava um filho já sem pai, que estava para nascer a qualquer momento.
          E por fala nele, ou nela, lembrou-se de que não estava mais ansiosa para a chegada do novo membro da família desmembrada. Entretanto, dois dias depois dessa ocasião, ele começou a chegar. Clarisse sentia as contrações lhe apertando a barriga. Sua bolsa estourou e ela gritou a um de seus funcionários:
         _Vá chamar a parteira, estou tendo meu bebê!
         Nesse momento, ela já berrava bastante. Sua mãe chegou juntamente com a parteira, que começou a trabalhar. Dora segurava sua mão até que um garotinho chorão nasceu. Ele era lindo e ela lhe daria o nome de Jhonny. Porém o garoto não era perfeito. Tinha alguma deficiência que não sabiam explicar. E ainda no terceiro dia de vida, por complicações médicas ele a deixou também, assim como o pai. Morreu o pobrezinho do Jhonny. Isso deixou a mãe ainda pior. Agora não tinha mais uma família. Decidiu dar uma reviravolta na vida.
         Foi por impulso até uns marinheiros e perguntou-lhes:
         _ Quando é o próximo navio que vai para o Vietnã?
         _ Mocinha, o que é que você vai fazer lá?_ questionou um dos homens, com ar cômico na voz.
         _ Isso não importa, vão ou não para lá? E se forem, quando partirão?_ retrucou com irritação a moça.
         _ Vamos depois de amanhã, quando o sol raiar. Temos que levar alguns soldados direto daqui, pois o nosso país esta perdendo feio e precisam urgentemente de pessoas para trabalhar lá._ disse um outro, com mais educação.
         _ Então eu irei com vocês. Quero trabalhar como enfermeira, cuidando dos soldados feridos.
         Todos riram, mas concordaram.

3 - Partiu para Longe, num Mundo Inacessível.

Na semana seguinte, numa quinta-feira, Eduard Benson e dois dos seus melhores amigos, que também haviam sido convocados, já estavam prontos pra partir para Washington. Na calçada da casa estavam os pais de cada um, os sogros também, muitos amigos, e as mulheres, como sempre, chorando bastante. Todos se abraçaram e quando Ed foi se despedir de Clarisse, disse segredando em seu ouvido:
_Tenho certeza de que Deus ainda tem planos pra nós dois e cuide bem do nosso filho até que eu volte, está certo?
A esposa nada disse, apenas balançou a cabeça num gesto afirmativo e sutil. Lágrimas rolavam de seus olhos, porém ele tinha que ir e não havia nada que pudessem fazer. O carro que levava os homens partiu e todos acenaram tristemente.
          Vários meses se passaram e Clarisse se sentia muito solitária. Tinhas as amigas e os parentes, é claro, mas faltava alguma coisa que ela sabia muito bem o que era. A plantação não estava rendendo tanto agora, entretanto dava pra viver. A saudade apertava, até porque Ed não podia responder a suas cartas.
         Num certo dia de verão, bonito e cheio de vida, quando a jovem lavava suas roupas, ouviu um grito de felicidade vindo da casa ao lado. Era de sua amiga Sara, esposa de um dos companheiros de viagem do Eduard, chamado Willian.
         _ Oh, você voltou, que felicidade, mal posso acreditar!_dizia a voz estridente e demasiadamente alegre de Sara.
         A expressão de Willian não era tão boa quanto deveria ser. Ele parecia arrasado e disse para a esposa:
         _Tenho uma notícia para dar. Vá chamar todas as pessoas que estiveram aqui quando fomos para a guerra. Sem exceções.
         Então, algum tempo depois, quando já estavam todos reunidos na casa do casal, o rapaz começou:
         _ Infelizmente, não tenho notícias boas sobre nossos dois amigos que foram junto comigo para o Vietnã. É com muito aperto no coração que eu sou obrigado a dizer-lhes que Eduard Benson e Robert Turner faleceram na terça-feira passada.
         Todos caíram em pranto e a esposa de Robert até desmaiou. Enquanto todas as atenções se voltavam para ela, Clarisse chorou um choro repleto de tristeza e mágoa. Não agüentou ficar ali e saiu correndo para sua fazenda, que ficava ao lado.

2- Época Mais Feliz ou Mais Triste da Vida?

Washington, 28/03/1964



   Exmo SR Eduard Thurlow Benson               

O senhor está convocado para apresentar-se ao exército, para assumir seu posto na guerra do Vietnã, a fim de honrar sua nação. É dever de todos obedecerem  às Forças Armadas dos Estados Unidos da América. Deverá estar em Washington no dia 13/04/1964, na sede das Forças Combatentes Americanas. Caso não compareça, será considerado um desertor e responderá nas formas da lei.

Atenciosamente,
General Mayer.


O jovem casal ficou, por um momento, imóvel. Porém, quando se deram conta de que Ed teria que partir dentro de uma semana, se abraçaram e choraram juntos. As lágrimas poderiam jorrar pra sempre, mas a vida tinha que continuar.
Clarisse foi logo arrumar as malas do marido, quando sentiu um enjôo muito forte. Tratou de resolver a situação no banheiro, entretanto esses incômodos continuaram a acontecer com freqüência. No dia seguinte, quando foi à casa de seus pais dar a triste notícia sobre o companheiro, teve outro mal estar. A mãe da moça, Dora, suspeitou de algo que talvez pioraria a situação mais ainda. Clarisse estava grávida!
As duas foram para a casa de um amigo de Dona Dora, que era médico. Ele a examinou com alguns aparelhos da época e usou de sua grande experiência para dizer:
_ A senhora está gerando um bebê em seu útero, querida. Meus parabéns!
Por mais que quisessem ficar felizes com a situação, não puderam. O pai da criança iria embora justo no melhor momento de suas vidas. Todavia, todos ainda permaneciam com esperança de que Ed partiria e voltaria tão rápido que quase não sentiriam sua falta.
“Ah, a esperança é boa”, pensava a jovem. Ela é o que nos move para seguir adiante onde não se vê uma boa saída. É o que nos faz ir além do premeditado e caminhar com todas as forças pela estrada da vida. “Ela é boa sim”.
Quando ambas voltaram, com os olhos marejados de lágrimas, encontraram Daniel, o pai, e Eduard, o marido, tomando chá e conversando tranquilamente. Então, a sogra do rapaz disse com ímpeto:
         _Clarisse tem algo a lhes contar. _ a voz saiu com certa alegria.
Neste instante, a moça tocou a própria barriga, e em prantos exclamou:
_ Eu acho que estou grávida!
Aquilo era um misto de felicidade e dor dentro de sua alma, mas algo interrompeu seus sentimentos confusos:
_Oh, meu Deus, é sério? Nossa, é o dia mais feliz da minha vida, obrigado!­_ gritou o rapaz, já começando a chorar, como faziam todos os presentes na sala de estar.

1 - Princípio Convincente

Esta é a história de Clarisse Benson. Uma mulher arrasada pelas tragédias que a vida lhe proporcionou, porém forte pelo mesmo motivo.
Em 1960, uma jovem bonita, de cabelos claros e olhos muito luminosos, se casava numa igrejinha da pequena cidade do Mississipi, chamada Ocean Springs. Uma celebração simples uniu o casal, que muito felizes começaram a coligar seus sonhos. Seu marido, Eduard, era um soldado muito novo ainda. Entretanto, o rapaz robusto, de cabelos negros e olhar muito terno, possuía um forte desejo de construir uma família com a recente esposa. Os dois pretendiam morar numa fazenda nos arredores e viver da agropecuária, pois Ed largara as Forças Armadas, a fim de ter uma vida mais tranqüila.
Clarisse e Eduard trabalhavam bastante na plantação de batatas e cenouras. Tinham poucos funcionários e levavam uma rotina simples, sem muitas regalias, todavia o cotidiano era doce e sem muitas preocupações. A única era a de fazer um ao outro mais contentes a cada dia que passava. Iam à igreja todo domingo e freqüentavam a casa dos amigos como uma família normal. Viveram maravilhosos 3 anos desta maneira.
Nesta mesma época, acontecia, longe dali e já algum tempo, a Guerra do Vietnã. Vietnã do Sul contra Vietnã do Norte. Uma batalha sangrenta que se passava na região dos dois oponentes, também no Laos e Camboja. Os Estados Unidos eram aliados do Vietnã do Sul, pelo motivo dos dois adotarem o modelo capitalista. Até pouco tempo, o país norte-americano não havia entrado de fato, com armas e soldados, na luta. O povo gostou muito desta atitude, porém, os governantes agora anunciavam a preparação das tropas para serem enviadas, com o objetivo de brigar pela sua honra e de seu aliado.
Esta notícia perturbou e muito a família Benson. O casal ficou dias sem dormir, pois tinham medo de chamarem ex-soldados para ajudarem na empreitada. Se isso acontecesse, com certeza Ed seria convocado, porque fora um excelente combatente e tinha vocação para isso. Clarisse chorava muito, pois sabia que se o marido fosse, talvez nunca mais voltasse para casa.
O que aconteceu, foi que numa manhã muito fria e nebulosa, o rapaz recebeu uma carta, que levou consigo até a sala de estar, onde havia uma grande lareira bem aconchegante e convidativa. Sentou-se numa poltrona e mostrou o remetente para a mulher, que dizia: Forças Armadas dos Estados Unidos da América.
Os dois deram uma das mãos e apertaram com força. Com a outra, abriram lentamente o envelope que poderia conter algo capaz de mudar suas vidas.