Havia naquele envelope, ao todo 50 mil dólares. Ela não estava acreditando no que seus olhos viam e suas mãos apalpavam. Então pegou a carta que estava junto e leu:
Vietnã, 13/08/1964
Querida Clarisse,
Se você estiver lendo esta carta é porque eu morri na guerra. Quero que saiba que eu sempre te amei muito e me preocupo com o seu bem estar. Como já previ há algum tempo a minha ida para a guerra, guardei uma boa quantia das colheitas para o caso de acontecer algo comigo. E acho que eu estava certo. Este dinheiro é para ajudar com os gastos do nosso filho e para realizar todos os seus sonhos. Eu gostaria muito de poder estar ao seu lado e ao lado do bebê que deve ser lindo como a mãe. Obrigado por ser essa esposa tão boa e amorosa pra mim. Com muito amor,
Eduard Benson.
Neste momento, lágrimas surgiam no rosto da leitora. Ela estava sentindo um misto de alegria e saudade. Mas um pouco de tristeza pelo fato de não poder gastar com o filho que partira. Porém uma idéia veio-lhe a cabeça e ela gritou:
_ Júlia! Venha aqui agora mesmo!
_ Já estou indo, calma_ respondeu a outra, sossegada.
_ Creio que já temos dinheiro suficiente para construir nossa escola.
_ Como assim? Você ficou maluca?
_ Não, olhe isso aqui.
Então ela mostrou tudo para a amiga e ambas se animaram e começaram a projetar tudo no caminho de volta para os EUA. Elas estavam no mesmo navio que tinha trazido Clarisse até o Vietnã. Lá ela encontrou o Michel novamente, o homem que a tinha levado até Júlia. Ele era muito legal e começaram a conversar. Os três contaram as experiências e bateram papo durante toda a viagem. O rapaz se ofereceu para ajudar na escola, já que também sabia um pouco sobre saúde.
Três anos depois de voltarem para a terra natal, a escola para enfermeiras ficou pronta, com muito suor. Clarisse e Michel se casaram e adotaram um filho. Júlia se casou também e teve 2 filhas com Jorge. Formaram muitas profissionais da saúde e continuaram a ter uma vida cheia de aventuras e desventuras.
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