quarta-feira, 14 de setembro de 2011

6- Campo de Batalha

         Na manhã seguinte, as duas acordaram bem cedo e pegaram a bagagem e os instrumentos que deveriam usar. Depois foram para a rua esperar um carro do exército passar para buscá-las e levá-las para o local onde trabalhariam. Na verdade, elas nem sabiam ao certo onde ficariam, só tinham certeza de que seria à beira de um campo de guerra.
         Um soldado passou para pegá-las e deixou-as numa espécie de pântano, bem longe de onde estavam inicialmente. O homem disse:
         _ Montem as coisas aí mesmo, e logo chegarei com soldados feridos para vocês. _ Ele saiu num barquinho rumo ao campo.
         O "chão" do lugar era todo enlameado e as botas que Júlia recomendara usar estavam sendo bem úteis, porque os pés afundavam bastante, e com os calçados, os problemas nessa área estavam sendo bem menores. Andar passou a ser uma tarefa complicada, porém ambas conseguiram montar todos os equipamentos. Havia uma mesa dobrável com remédios, seringas, gaze, agulhas e outras coisas mais. Ao lado tinham algumas cadeiras e duas macas também dobráveis.
         Neste pântano, o único meio de transporte que poderia ser utilizado eram os barcos com remo, pois os elétricos não conseguiam se mover nos riozinhos rasos que existiam ali. Clarisse estava com um pouco de medo por causa do barulho das bombas e armas que vinha de longe. Todavia procurou se controlar e manter-se calma.
         Logo depois de terminarem de se organizar, o mesmo homem que as tinha levado até lá, o general Smith, estava chegando com dois soldados na pequena embarcação. Ele levou um de cada vez até as macas e voltou a navegar em busca de outros necessitados. Então Júlia perguntou numa voz meiga:
         _ Podem me falar o nome de vocês, por favor?
         _ É Brian! _ disse um deles com dificuldade.
         _ O meu é Cody _ disse o outro um pouco melhor.
         E assim as duas enfermeiras foram questionando as dores e problemas dos feridos. Clarisse ficou com o menos machucado e Júlia, por ser mais experiente ficou com o debilitado. Ambos estavam com um problema chamado "pés de trincheira". Essa doença afetava 1 a cada 3 combatentes mais ou menos. Ela ocorria por causa da água que entrava nas botas e sem a ventilação necessária, em 11 horas a pele dos pés começava a ser corroída. Devido a isso, muitos tinham seus membros inferiores amputados ou não podiam mais lutar porque andar ficava muito difícil.
         Felizmente, a doença de Cody não estava num grau tão avançado e Clarisse só teve que passar algumas pomadas, enfaixar, e dar-lhe outros comprimidos para dor. Entretanto, Brian, além disso, havia levado um tiro no braço e Júlia teve bastante trabalho para retirar a bala.
         Logo após esse acontecimento muitos outros homens iam chegando. Cada um com uma deficiência maior. Uns com picadas feias de insetos como aranhas, abelhas, vespas ou formigas venenosas. Outros com tiros pelo corpo todo. Alguns que pisavam em bombas ou eram atingidos por elas e tinham sobrevivido, iam para lá sem membros inteiros. E o papel de ambas era fazer com que eles sobrevivessem ou até mesmo voltassem ao combate. Ás vezes, muitos deles morriam e isso era uma tristeza muito grande para elas, mas persistiam na tarefa e a desempenhavam com louvor.
         Apesar de tudo, a novata no ramo, Sr. Benson, estava gostando de ajudar e trabalhar bastante. Isso dava força pra continuar com a vida, mesmo depois de tantas desventuras.

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