segunda-feira, 5 de setembro de 2011

4- Chegou, Porém Já Foi Embora.

Batiam na porta, mas Clarisse não queria atender. Estava muito perplexa com a “partida definitiva” de Eduard, e ainda não houvera tempo de se recuperar. Todavia ela abriu pra quem quer que fosse, com o objetivo de pedir para deixá-la em paz por mais algum tempo. Eram Robert e Sara.
         _ Entrem _ ela disse, com os olhos inchados e a voz um tanto trêmula.
         Os dois se acomodaram na mesa de jantar e o rapaz falou:
         _ Tenho aqui algo do seu marido. Ele me pediu para entregar para você, caso acontecesse alguma coisa de ruim.
         O jovem lhe entregou um pacote e continuou:
         _ Bom, eu sinto muito mesmo pelo Ed. Gostaria de poder fazer alguma coisa por você. Se precisar de qualquer ajuda é só chamar a mim ou a Sara, está bem? Vamos deixar você sozinha mais um pouco para digerir tudo isso.
         Então os dois a abraçaram e saíram.
         Lá estava ela. Uma viúva, com um pacote do falecido na mão, e uma barriga enorme que carregava um filho já sem pai, que estava para nascer a qualquer momento.
          E por fala nele, ou nela, lembrou-se de que não estava mais ansiosa para a chegada do novo membro da família desmembrada. Entretanto, dois dias depois dessa ocasião, ele começou a chegar. Clarisse sentia as contrações lhe apertando a barriga. Sua bolsa estourou e ela gritou a um de seus funcionários:
         _Vá chamar a parteira, estou tendo meu bebê!
         Nesse momento, ela já berrava bastante. Sua mãe chegou juntamente com a parteira, que começou a trabalhar. Dora segurava sua mão até que um garotinho chorão nasceu. Ele era lindo e ela lhe daria o nome de Jhonny. Porém o garoto não era perfeito. Tinha alguma deficiência que não sabiam explicar. E ainda no terceiro dia de vida, por complicações médicas ele a deixou também, assim como o pai. Morreu o pobrezinho do Jhonny. Isso deixou a mãe ainda pior. Agora não tinha mais uma família. Decidiu dar uma reviravolta na vida.
         Foi por impulso até uns marinheiros e perguntou-lhes:
         _ Quando é o próximo navio que vai para o Vietnã?
         _ Mocinha, o que é que você vai fazer lá?_ questionou um dos homens, com ar cômico na voz.
         _ Isso não importa, vão ou não para lá? E se forem, quando partirão?_ retrucou com irritação a moça.
         _ Vamos depois de amanhã, quando o sol raiar. Temos que levar alguns soldados direto daqui, pois o nosso país esta perdendo feio e precisam urgentemente de pessoas para trabalhar lá._ disse um outro, com mais educação.
         _ Então eu irei com vocês. Quero trabalhar como enfermeira, cuidando dos soldados feridos.
         Todos riram, mas concordaram.

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